Grupo CPR assina o retrofit da Vila Belmiro, que moderniza o estádio de 110 anos sem tirar o Santos de casa
Empresa de engenharia e incorporação responde pelo projeto e pela execução da obra, que reconstrói arquibancadas em estrutura metálica, cria novos camarotes e tem entrega completa prevista para novembro de 2027, segundo o grupo

Empresa de engenharia e incorporação responde pelo projeto e pela execução da obra, que reconstrói arquibancadas em estrutura metálica, cria novos camarotes e tem entrega completa prevista para novembro de 2027, segundo o grupo
A Vila Belmiro completou 110 anos em 12 de outubro com o canteiro aberto. O estádio do Santos, inaugurado em 1916 e casa do time de Pelé, passa por um retrofit com projeto e execução do Grupo CPR, empresa de engenharia e incorporação com sede em São Paulo. Segundo o grupo, a capacidade deve passar de pouco mais de 16 mil para até cerca de 25 mil lugares quando todas as frentes estiverem concluídas, e a entrega completa está prevista para novembro de 2027.
A obra mexe em estruturas com mais de meio século nas partes mais novas e com mais de cem anos nas mais antigas. “O retrofit existe justamente para preservar essa história, não para apagá-la”, diz Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.
O papel da empresa vai do desenho à entrega. O Grupo CPR assina os projetos arquitetônico e estrutural, desenvolvidos em BIM, a modelagem digital que integra as disciplinas da obra, e executa e gerencia os trabalhos, da coordenação de fornecedores à fabricação das estruturas metálicas. Também é dela o plano de segurança e operação que permite tocar o canteiro com o estádio em uso. A legalização junto à prefeitura é conduzida pelo próprio clube.
O projeto começou em julho, com uma frente emergencial de reforço estrutural, e o contrato principal foi assinado em agosto. O escopo inclui a recuperação das áreas antigas de concreto, a demolição e a reconstrução das arquibancadas dos setores 8 a 16 em estrutura metálica pré-moldada com steel deck e a ampliação das arquibancadas inferiores, que aproxima o torcedor do campo. Entram ainda 72 camarotes novos, a reforma integral do 4º pavimento das cativas, a modernização de banheiros, corredores e áreas internas, novo telhado, novos elevadores e escadas, a modernização das cadeiras, a troca do gramado, um museu com experiências interativas e a requalificação da fachada e dos acessos.
Parte do trabalho já foi entregue. Segundo a empresa, estão concluídos a reforma do 4º andar das cativas, o reforço estrutural emergencial dos setores 8 a 11 e a demolição dos setores 8 a 12, cuja estrutura metálica está em montagem na fábrica para ser içada no estádio. Na sequência vêm os setores 12 a 16, os mezaninos inferiores, os camarotes, o telhado, o gramado e o museu.
A principal restrição da obra é o calendário do clube. O cronograma é dividido por setor, as estruturas são montadas fora do estádio, com painéis pré-fabricados e sistemas de montagem rápida, e os içamentos acontecem nas janelas entre jogos, sob um plano de segurança específico para conciliar canteiro e evento.
“O Santos não para de jogar em casa durante a obra, então cada frente é planejada para não interferir no dia a dia do clube”, afirma Ceni. “É uma obra de engenharia e de logística na mesma medida.”
Boa parte do que sustenta a reforma não vai aparecer para o torcedor. Numa estrutura com mais de 50 anos, segundo a empresa, o tratamento das ferragens, a proteção catódica, a recomposição do concreto e as fundações profundas são o que garante a segurança por mais décadas, e a modelagem em BIM permite compatibilizar os projetos antes da execução, com menos retrabalho no canteiro. “O torcedor vê o camarote, a cadeira nova e o gramado; o que faz diferença de verdade está escondido na estrutura”, diz o executivo.
A obra tem também uma engenharia financeira própria. Segundo o grupo, o pagamento não sai do caixa do clube: a reforma é financiada por um fundo criado junto ao Santos para esse fim, que se remunera com as receitas futuras de locação e venda dos camarotes. O valor do contrato é mantido em sigilo pelas partes. “O próprio ativo que estamos construindo é o que paga a obra”, afirma Ceni. De acordo com ele, a estrutura financeira foi desenhada por Júnior Bozzella, assessor especial da presidência do clube, e o projeto tem o aval do presidente Marcelo Teixeira.
Para a empresa, a obra pesa além do contrato. “Poucos clubes no mundo têm a história que o Santos tem, e a gente carrega a responsabilidade de preservar essa história sem comprometer o futuro do clube”, diz Ceni.
Fundado pelo engenheiro civil Marlon Ceni, o Grupo CPR atua há mais de 15 anos em engenharia e incorporação, com unidades em Curitiba e Goiânia, e trabalha com construção, manutenção e facilities para clientes públicos e privados. No imobiliário, desenvolve a Fazenda do Lago, às margens do Lago Corumbá IV, em Abadiânia (GO).
Na Vila, a meta é a que o próprio Ceni resume em poucas palavras: “Modernizar a Vila sem perder a Vila”.



