Diretor Dimas Oliveira e elenco falam sobre as curiosidades por trás do filme “Sila”

Para quem pensa que é fácil trabalhar em um projeto audiovisual, está muito enganado. Além de toda uma pré-produção que requer planejamento e cautela, a gravação é mais um grande desafio e enorme passo para se produzir um filme, série, curta… O filme “Sila”, idealizado e dirigido por Dimas Oliveira, é um dos exemplos e carrega diversas curiosidades de set e incorporação dos personagens.

Com uma equipe composta por cerca de 45 profissionais da área e elenco, a produção foi gravada em Taubaté, interior de São Paulo. “Sila” conta a história dos sobreviventes do massacre de 1938 no sertão Nordestino, através da ótica feminina de Ilda Ribeiro, ex-cangaceira Sila. 

A temática do filme já diz tudo: figurino, maquiagem e demais recursos diferenciados. Além disso, 90% da história se passava em cenários externos, ou seja, precisavam contar com variáveis climáticas. “Tínhamos uma cena para filmar com dois atores que reclamavam do sol causticante, mas naquele dia o sol não quis colaborar e começou a chover. Tivemos que mudar o diálogo na hora e com muita rapidez, pois a chuva estava apertando. Eles agradeceram pela chuva que caia e deram a simbologia de que, até o céu chorava a morte do Capitão (Lampião)”, conta Dimas. 

Algumas cenas do filme não existiam no roteiro e foram criadas na hora, de acordo com as locações. “Quando você anda pelo meio do mato aparecem situações inesperadas, desde bichos (mortos) que não estavam na programação, até pessoas curiosas que apareciam e se assustavam com aquele bando de cangaceiros armados e isso tudo sem dar tempo de avisar que era um filme que estava sendo feito, teve gente que viu o grupo e saiu gritando. Falta de banheiro foi constante, fome, calor e cansaço, foram fundamentais para os atores, que utilizaram todas as dificuldades para compor seus personagens.  Mas o mais engraçado, foi ter que acender uma fogueira e ninguém sabia como fazer. Uma tarefa tão simples e que virou a grande dificuldade da diária”, completa o diretor.

Quanto às mudanças para incorporar um personagem no filme que aborda um tempo totalmente diferente do ano de 2022, o ator Mori Meirelle, que interpretou o papel do cangaceiro Zé Sereno, conta que foi uma grande responsabilidade dar vida ao protagonista masculino e também se tornou um processo difícil devido à história de Zé Sereno na produção. “Precisei interpretar um homem violento, muito diferente do que eu sou”, afirma o artista. 

“Além disso, o processo de me desprender do ego, da vaidade, foi um choque e contribuiu muito para a minha carreira, como se ela nascesse naquele momento, com Zé Sereno, um homem forte que me ensinou a ser um ator desprendido e abraçar com força as dificuldades e romper as barreiras da zona de conforto que construímos em nossa volta. Zé Sereno foi um presente em minha carreira”, diz Mori sobre o aprendizado. 

“Sem banho, apenas alguns minutos para comer alguma coisa, diálogos que eram alterados de acordo com as surpresas que o tempo nos apresentava, além de ter que estar na pele daquele homem violento o tempo todo. Detalhe, tive que deixar os pelos do corpo crescerem, cabelos, barbas, axilas e esquecer a vaidade. O dia mais engraçado foi quando tínhamos uma cena para filmar, onde os cangaceiros iam se banhar nus em um lago! Era inverno e a cena começou de madrugada. A água congelando e nós tínhamos que manter uma expressão tranquila. Foi muito difícil e até hoje sinto o frio daquele dia. Por tudo isso, pela escola profissional que é estar ao lado de um diretor como o Dimas Oliveira, é que digo que ele é meu mestre, meu grande amor” – completa o ator.

A atriz Dedé Duarte deu vida à cangaceira Neném. Sobre a construção da personagem, ela conta: “A Neném foi construída como uma mulher forte, para o filme, estava sempre séria e atenta. Às vezes passava raiva no olhar pela situação que a personagem vivia. Foi uma construção tensa, mas foi uma personagem construída para ser forte. Minha personalidade é totalmente diferente da personagem, sou alegre, brinco com tudo e todos e tive que assumir uma postura contrária à minha. Foi um verdadeiro e exaustivo processo de criação para viver a Neném”, afirma a atriz.        

O projeto, que traz um olhar diferente sobre o massacre de 1938 no sertão Nordestino,  saiu do papel a partir de financiamento coletivo de plataformas especializadas e muita garra e força de vontade. “Tivemos alguns apoiadores, mas nenhuma lei e nenhuma empresa patrocinadora máster, mas mesmo assim toda a equipe se cotizou, divulgando o projeto do filme através do sistema crowdfunding, onde conseguimos levantar uma quantia básica para arcar com as despesas mínimas da produção. Mas, o filme Sila, somente aconteceu através da parceria da equipe, que se revezava nos bastidores e frente à câmera, com uma vontade férrea de que tudo acontecesse. E aconteceu, apesar de todas as dificuldades, o filme, ganhou forma e conseguiu chegar até os festivais, graças a esse esforço coletivo, esse sonho de artista, dos verdadeiros artistas, que rompem barreiras acreditando em um sonho”, finaliza o diretor. 

A produção gravada em Taubaté conquistou no Festival de Cinema da Ibiapaba os títulos de “Melhor Direção de Fotografia de Filme Nacional”, “Melhor Direção de Arte”, “Melhor Trilha Sonora” e a categoria de “Melhor Atriz”, representada pela atriz Luana Dias, que interpreta a protagonista Sila na produção. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *