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A nova equação bancária: acesso, IA, conexão humana e resiliência

Por Joe Myers, Executive Vice President, Chief Revenue Officer, Diebold Nixdorf

Joe Myers, Executive Vice President, Chief Revenue Officer, Diebold Nixdorf

Por Joe Myers, Executive Vice President, Chief Revenue Officer, Diebold Nixdorf

O setor bancário vive uma fase interessante de transformação, em que diferentes movimentos acontecem simultaneamente. A evolução tecnológica, as novas dinâmicas de trabalho e as expectativas cada vez maiores dos consumidores trazem desafios importantes, mas também abrem oportunidades para as instituições que souberem combinar inovação, resiliência e confiança.

No Brasil, que conta com um dos sistemas financeiros mais desenvolvidos do mundo, essa evolução significa adicionar novas possibilidades a uma estrutura que já passou por profundas transformações. O próximo passo não está simplesmente em digitalizar mais, mas em combinar diferentes formas de atendimento e acesso, usar a Inteligência Artificial (IA) para tornar as experiências mais relevantes e preservar o papel dos colaboradores nos momentos em que a interação humana faz diferença.

Um dos principais desafios está em reconhecer que não existe uma única experiência bancária capaz de atender a todos. As necessidades variam de acordo com o perfil do cliente, sua localização e o contexto em que utiliza determinado serviço. No Brasil, essa diversidade exige das instituições capacidade de adaptação e uma estratégia que considere diferentes realidades.

As agências, por exemplo, podem assumir funções cada vez mais voltadas à orientação, ao atendimento de demandas complexas e à construção de relacionamento dependendo de onde estejam instaladas, enquanto canais digitais e caixas eletrônicos desempenham diferentes papéis de acessibilidade em uma jornada integrada. Mais do que substituir um canal por outro, trata-se de entender como cada um pode contribuir para uma experiência mais completa.

O dinheiro em espécie também exemplifica essa necessidade de diversidade. Embora os pagamentos digitais estejam cada vez mais presentes, o dinheiro continua importante para diferentes públicos e situações, inclusive como alternativa em momentos de indisponibilidade de outros meios. Pensar o futuro dos serviços financeiros passa, portanto, por oferecer diferentes possibilidades de acesso e permitir que cada cliente escolha a combinação que melhor atende às suas necessidades.

Se os canais determinam como o cliente acessa os serviços financeiros, a IA começa a transformar o que acontece ao longo desse caminho. Seu potencial vai além da automação e da eficiência operacional. A tecnologia pode modificar a própria jornada financeira, aproximando a identificação de uma necessidade da recomendação, decisão e realização de uma operação. Em vez de apenas acelerar processos existentes, pode ajudar as instituições a antecipar necessidades e oferecer produtos, serviços e orientações mais adequados a cada contexto.

Transformar essa possibilidade em valor, porém, exige mais do que projetos-piloto. As instituições precisam concentrar esforços em aplicações que tenham impacto perceptível na vida do cliente, combinando personalização, simplicidade e transparência. Quanto mais sofisticada se torna uma experiência, mais importante é garantir que ela continue intuitiva, relevante e capaz de preservar a confiança.

E, se a IA transforma a experiência do cliente, também muda o papel das pessoas responsáveis por entregá-la. Conforme a automação absorve atividades repetitivas, profissionais podem dedicar mais tempo a funções que dependem de empatia, capacidade de análise, julgamento e aconselhamento. O objetivo não é retirar a dimensão humana da relação bancária, mas permitir que a tecnologia libere tempo e capacidade para que as pessoas sejam ainda mais relevantes.

Toda essa evolução, no entanto, depende de uma condição fundamental: continuidade. Uma experiência pode ser personalizada e inteligente, mas precisa permanecer disponível, segura e confiável. Em um sistema financeiro cada vez mais interdependente, isso exige colaboração, compartilhamento de informações e capacidade coordenada de resposta a incidentes. Segurança passa a fazer parte da própria infraestrutura de confiança sobre a qual novas experiências são construídas, enquanto resiliência significa estar preparado para sustentar operações e relações com os clientes em diferentes cenários.

É nessa interseção que está uma das principais oportunidades para o setor. Acesso, IA, conexão humana e resiliência não são agendas separadas. Os canais ampliam as possibilidades de acesso; a tecnologia torna as interações mais inteligentes; as pessoas acrescentam contexto, julgamento e confiança; e uma operação resiliente cria as condições para que tudo isso funcione de forma consistente.

Para a liderança dos bancos, o desafio está em definir como esses elementos devem funcionar juntos. O futuro do setor bancário não será definido apenas por quem incorporar mais tecnologia, mas por quem souber transformá-la em melhores experiências e sustentá-las mesmo quando o contexto mudar.

Por Joe Myers, Executive Vice President, Chief Revenue Officer, Diebold Nixdorf