Ultraprocessados não deveriam ter espaço em escolas e hospitais
Dr. Rafael Pelosi defende mudanças na alimentação oferecida em instituições que deveriam atuar também na promoção da saúde

Dr. Rafael Pelosi defende mudanças na alimentação oferecida em instituições que deveriam atuar também na promoção da saúde
Escolas e hospitais têm em comum uma responsabilidade que vai além de suas funções tradicionais: contribuir para a promoção da saúde. Para o Dr. Rafael Pelosi, esse princípio deveria se refletir também na alimentação oferecida nesses ambientes. Na avaliação do profissional, a presença frequente de alimentos ultraprocessados em cantinas escolares e refeições hospitalares precisa ser revista.
A discussão não envolve apenas escolhas individuais, mas a forma como esses produtos são disponibilizados em espaços institucionais. Segundo Pelosi, não é coerente estimular hábitos alimentares saudáveis entre crianças e, ao mesmo tempo, manter à disposição refrigerantes, doces, salgadinhos e outros produtos ultraprocessados dentro das escolas.
Entre os alimentos que fazem parte desse cenário estão refrigerantes e outras bebidas açucaradas, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, embutidos como salsicha, presunto e mortadela, além de macarrão instantâneo e refeições ultraprocessadas prontas.
Para o cirurgião-dentista e pesquisador em saúde da família, o ponto central não está no consumo eventual de um determinado alimento, mas na oferta recorrente e institucionalizada desses produtos. Muitos deles apresentam alta concentração de açúcar, sódio e gorduras, além da presença de diversos aditivos, podendo ocupar o espaço que deveria ser destinado a alimentos in natura ou minimamente processados.
Na infância, os hábitos alimentares são construídos a partir de diferentes influências, incluindo a família, a publicidade e o próprio ambiente escolar. Por isso, Pelosi considera que a escola pode ter um papel importante na formação de escolhas mais saudáveis.
A proposta defendida pelo profissional é que as instituições de ensino sejam ambientes cada vez mais alinhados à educação alimentar, priorizando opções que contribuam para uma alimentação equilibrada em vez de facilitar o acesso cotidiano a produtos de baixo valor nutricional.
Nos hospitais, a preocupação ganha outra dimensão. Para Pelosi, uma instituição dedicada ao tratamento e à recuperação de pacientes deveria avaliar não apenas os procedimentos realizados, mas também a qualidade da alimentação oferecida durante o período de internação.
A ideia, segundo ele, é que a alimentação hospitalar seja compreendida como parte do cuidado e não apenas como uma necessidade logística. Isso significa considerar a qualidade nutricional das refeições e reduzir a dependência de produtos ultraprocessados sempre que houver alternativas adequadas.
A discussão, portanto, não se resume a retirar determinados produtos das prateleiras. Envolve repensar a relação entre alimentação e saúde dentro de instituições que têm justamente a responsabilidade de educar, cuidar e prevenir doenças. Para o Dr. Rafael Pelosi, escolas e hospitais deveriam transmitir uma mensagem coerente: se a alimentação é um dos componentes importantes da saúde, ela também precisa ser tratada como parte fundamental desses ambientes.



