Mostra “Vivacidade: arte, cidade e meio ambiente” leva arte digital para a Barra Funda

Depois de promover workshops gratuitos e abrir espaço para artistas de new media, a terceira edição da mostra “Vivacidade: arte, cidade e meio ambiente” acontece nos dias 15 e 16 de maio, na Plano Studio Galeria, na Barra Funda. Com entrada gratuita, o evento apresenta instalações interativas e generativas, além de trabalhos audiovisuais que constroem narrativas socioambientais.

Na sexta-feira (15), das 18h às 23h, a galeria recebe o público para uma noite especial de exposição e festa, o público poderá interagir com as obras de arte digital que compõem a mostra, além de presenciar a fusão entre imagem e som com a performance audiovisual “Zonas Cíticas” de Fernando Velásquez e o setlist do DJ Lúcio Ribeiro acompanhado da live de VJ set com o artista, Lucas Bitar. O evento também contará com a obra visual “Maré Morta” de Gyulyia, sendo um vídeo-instalação que transforma dados científicos sobre espécies marinhas ameaçadas em paisagens audiovisuais. Já no sábado (16), a mostra acontece das 13h às 19h só com as instalações e obras visuais.

Quem passar pela Barra Funda também terá um spoiler do que será apresentado no Horto Florestal, na Zona Norte de São Paulo, a partir do dia 21 de maio. A programação imperdível aborda temas como a impermanência da vida, os elementos da natureza e a relação da humanidade com o ecossistema. Entre pixel e raiz, o projeto propõe um diálogo entre arte, sociedade, tecnologia e meio ambiente.

As obras de arte digital estimulam experiências coletivas e ampliam o olhar crítico sobre os impactos da vida urbana nos ecossistemas naturais.

A produção da “Vivacidade: arte, cidade e meio ambiente” é da VERVE CULTURAL, produtora especializada em arte digital, encabeçada por Marília Pasculli e João Frugiuele. A curadoria é de Marília Pasculli. O patrocínio é da Microsoft, com apoio da Urbia Parques e realização da Secretaria da Cultura da Cidade de São Paulo.

Conheça as obras de arte digital:

ElementAIs (2026)
Artista: Marlus Araújo

Instalação interativa que traduz os cinco elementos da natureza em alucinações visuais. ElementAIs simula o crescimento e o movimento de organismos como fungos, plantas e répteis da Mata Atlântica na região do Parque Horto Florestal, criando padrões generativos que respondem em tempo real aos gestos das mãos dos visitantes.

A obra combina sensor de movimento com o sistema de reaction-diffusion (RD), uma inteligência artificial que atua como um “motor biológico”, gerando imagens contínuas a partir de padrões celulares.

Ao mesmo tempo em que oferece uma experiência sensorial imersiva, a instalação convida à contemplação crítica da biodiversidade  diante da rápida expansão das áreas urbanas e do colapso climático.

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Terramorfose (2026)
Artista: Vini Fabretti

A obra convida o participante a colocar cabeça e ombros dentro da escultura e, a partir desse interior prismático, o espectador não é mais apenas observador: torna-se elemento ativo de uma ecologia ampliada. Este prisma hexagonal nos faz um convite urgente: entender o mundo por meio de uma cosmovisão, diferente do habitual modo de vida contemporâneo. É como metáfora sensorial: ao nos vermos multiplicados entre folhas, asas, caules e células microscópicas, lembramos que não estamos à parte da natureza, mas imersos nela.

A Natureza do Movimento (2024) 

Artista: Chebel

Obra audiovisual que funciona como uma meditação poética sobre a impermanência. A combinação de animação e arte generativa explora os ritmos sutis da transformação e a beleza efêmera do mundo natural. Seu percurso revela como cada vida carrega em si a potência de nascer, se dissolver e renascer em outra. As formas surgem, se dissolvem e se transformam continuamente, evocando ciclos de vida, tempo e movimento. 

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Quem salvará nossos deuses? (2026)

Artista: Chico Abreu

A obra audiovisual conduz o espectador por monumentos e santuários de diversas culturas: pirâmides astecas, santuários budistas, o Cristo Redentor, templos greco‑romanos… Todos submersos no oceano, dentro de um contexto pós‑apocalíptico em que a humanidade foi extinta e o planeta tornou‑se um arquivo líquido de memórias culturais. O artista convida a imaginar um futuro em que a ação humana desencadeou mudanças climáticas irreversíveis e enfatiza que a responsabilidade é coletiva e transnacional. 

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Conheça a obra visual:

Maré Morta (2025)
Artista: GYULYIA

“Maré Morta” é uma vídeo-instalação que transforma dados científicos sobre espécies marinhas ameaçadas em paisagens audiovisuais. Em dois atos, combina arte generativa, animação 2D/3D e Unreal Engine para narrar o colapso dos oceanos. Cada partícula representa uma vida em risco, enquanto criaturas 3D atravessam um mar belo e instável, cortado por glitches que expõem o extrativismo. 

A obra convoca o público a sentir responsabilidade ecológica compartilhada.

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Mimosa Pudica  (2025)

Artista: Henrique Vaz

Partindo da planta Mimosa e sua capacidade de memória, o vídeo explora sistemas sensíveis não humanos por meio de simulações visuais e síntese sonora. A obra tensiona as fronteiras entre natureza e tecnologia, propondo uma leitura da cidade como ecossistema híbrido, onde processos invisíveis de adaptação, resposta e convivência emergem continuamente.

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O que nos conecta e  o que nos separa? (2026)

Artista: Via

Vivemos hoje em uma realidade profundamente mediada por tecnologias digitais, em que a conexão assume múltiplos significados. Ao mesmo tempo em que estamos constantemente ligados por redes, fluxos de dados e imagens, também experienciamos formas profundas de separação.

A obra  investiga o paradoxo entre conexão e separação na era digital, por meio da obra exposta em tela de LED em meio ao parque Horto Florestal. Ao contrapor o fluxo orgânico do parque com a presença luminosa do pixel, a obra transforma fragmentos íntimos da artista em portais que tensionam presença e ausência, proximidade e distância entre o físico e o digital.

A tela deixa de ser mero suporte e assume o papel de dispositivo que simultaneamente une e divide, convidando o público a atravessar camadas invisíveis da realidade contemporânea. Nessa sobreposição de corpos, paisagens e tecnologias, a peça sugere um fluxo contínuo que conecta todas as coisas.

Link demo.

Conheça a performance audiovisual:

Zonas críticas

Artista: Fernando Velázquez

“Zonas Críticas” é uma performance audiovisual em tempo real que investiga a mediação tecnológica da percepção, a captura da subjetividade por algoritmos e o impacto do extrativismo descontrolado sobre a natureza, articulando essas questões à noção de interdependência entre sistemas naturais e humanos proposta por Bruno Latour. 

Através de 11 vinhetas generativas, a obra dá forma a seres híbridos compostos por elementos de diferentes reinos, esculturas greco-romanas, Vênus paleolíticas e vozes inexistentes, todas geradas por IA, evidenciando os vieses algorítmicos que moldam nossa visão do mundo. Imagens sintéticas evocam o universo mineral e as forças da natureza em escalas diversas, de oceanos e terremotos ao micélio e à atividade humana, sugerindo uma revisão da relação entre tecnologia, paisagem e subjetividade no contexto da crise ecológica contemporânea.

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Conheça o DJ:

Lúcio Ribeiro

Lúcio Ribeiro é jornalista de cultura pop e curador de shows e festivais. Criou a Popload na Folha de S.Paulo, onde escreveu sobre música no caderno Ilustrada desde 1996 e até 2016. É produtor do Popload Festival e do selo de shows Popload Gig. Também está envolvido em sociedade na casa de shows Cine Joia e no  Bar Alto e do projeto de turnês CIRCUITO – Nova Música, Novos Caminhos. Viaja bastante pelo Brasil tocando como DJ em festas de rock e dance music e percorrendo o mundo atrás de festivais de música. Atualmente faz parte do time do artístico da Time for Fun, além de ser curador dos projetos musicais da marca Heineken. Como jornalista, é curador de música da edição brasileira da revista “Numéro”.

Conheça o VJ:

Lucas Bitar

DEsigner Gráfico, artista visual e pesquisador digital, sintetiza em seu trabalho a fusão entre o orgânico e o artificial, traduzindo experiências de deslocamento urbano em suas múltiplas dimensões — físicas e simbólicas.

Nos último 8 anos como VJ, teve trabalhos exibidos em festivais de arte digital/mapping  como SP_URBAN DIGITAL (São Paulo/SP), Mostra Play (São Paulo), Amazonia Mapping (Belém/PA), SSA Mapping (Salvador/BA), Cerrado (Barbacena/MG), SP_URBAN DIGITAL (São Paulo/SP) integrando até hoje a equipe de criação no Studio Curva, já desenvolveu visuais para artistas como Ivete Sangalo, Ludmilla, Marina Sena, Emicida, Mano Brown, Jota Quest,  entre outros. 

Atualmente integra também o coletivo de artistas Eixo Z, que promove apresentações colaborativas entre artistas da cena audiovisual.

Serviço:

“Vivacidade: arte, cidade e meio ambiente” – evento expositivo imersivo

Datas e horários: 

15 de maio (sexta) das 18h às 23h | Festa e Exposição

16 de maio (sábado) das 13h às 19h | Exposição
Local: Plano Studio Galeria

Endereço: Rua Dr. Sérgio Meira, 60 – Barra Funda, São Paulo – SP 

Entrada gratuita

“Vivacidade: arte, cidade e meio ambiente” – mostra expositiva no Horto Florestal

Data: 21 de maio a 04 de junho de 2026
Horário: 9h às 18h
Local: Horto Florestal (Parque Estadual Alberto Löfgren)

Endereço: Rua do Horto, 931 – Horto Florestal, São Paulo – SP 

Entrada gratuita

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SOBRE A VIVACIDADE

O projeto Vivacidade foi realizado pela primeira vez em 2013 e, desde então, realiza exposições coletivas de artes digitais em parques e espaços públicos da cidade de São Paulo, como o Parque Burle Marx e a fachada do edifício Fiesp. 

As obras, de artistas e coletivos, usam programação, mídias digitais e interatividade como suporte para conduzir trabalhos que dialogam com narrativas socioambientais. A cidade é tela, a natureza é inspiração.

As mostras Vivacidade atuam como um organismo vivo e mutável, que  aborda a relação entre as pessoas, a vida nos centros urbanos e o impacto no mundo natural, provocando questionamentos sobre a qualidade do ar e das águas, as mudanças climáticas e a importância da vida não humana. 

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