Startup B2B de mobilidade elétrica centraliza compras de mais de 180 varejistas

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Com seis meses de operação, Voltrix intermedeia cerca de dez contêineres por mês e avança com modelo de compra coletiva voltado a lojistas independentes do setor

O avanço da micromobilidade elétrica no Brasil começa a provocar mudanças que vão além das ruas. Nos bastidores do varejo, lojistas de diferentes regiões do país buscam novas formas de acessar fabricantes, negociar volumes maiores e reduzir a distância entre o mercado brasileiro e a indústria asiática.

Foi nesse espaço que os catarinenses Arthur Martins, de 23 anos, e Cadu Oliveira, de 26, identificaram uma oportunidade de negócio. Os dois são de Palhoça, na Grande Florianópolis, e estão à frente da Voltrix, startup que atua na intermediação estratégica de compras para o varejo de mobilidade elétrica.

Criada há seis meses, a empresa afirma intermediar atualmente cerca de dez contêineres por mês. A projeção é chegar a uma carteira de 200 associados até o fim de julho de 2026, com atuação em mais de 20 estados e 70 cidades brasileiras. Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo estão entre os mercados de maior presença da operação.

O planejamento estratégico dos fundadores é alcançar R$ 500 milhões em mercadorias intermediadas até o final de 2027.

Compra coletiva como estratégia

O modelo da Voltrix não é baseado na revenda tradicional. A startup não compra mercadorias para formar estoque próprio nem atua como uma distribuidora convencional. Sua proposta é organizar grupos de lojistas independentes para ampliar o poder de negociação junto à cadeia de fornecimento.

Na prática, a empresa atua na etapa anterior à chegada do produto à vitrine. O objetivo é reunir demanda, estruturar pedidos e criar condições para que lojistas tenham acesso a operações de compra e importação que dificilmente seriam viáveis de forma individual.

O foco atual está principalmente em bicicletas e scooters elétricas, categorias que ganharam espaço no varejo brasileiro e passaram a atrair empresários interessados em ampliar seus portfólios.

A tese dos fundadores é que, em um mercado cada vez mais competitivo, parte importante da margem do lojista é definida antes da venda, no momento da compra.

“Quando o lojista negocia sozinho, ele tem um poder limitado. Quando existe volume organizado, a conversa com a cadeia de fornecimento muda. A nossa proposta é criar essa estrutura”, afirma Arthur Martins.

O movimento acompanha uma transformação mais ampla no setor. A China se consolidou como um dos principais centros industriais da mobilidade elétrica, e empresários brasileiros passaram a acompanhar mais de perto feiras, fabricantes e tendências que surgem no mercado asiático.

Para pequenos e médios lojistas, porém, acessar essa cadeia envolve desafios que vão da negociação de volumes à organização logística e comercial. É justamente nesse gargalo que a Voltrix vem crescendo.

Experiências diferentes no mesmo setor

Embora jovens, os dois fundadores chegaram ao projeto depois de experiências ligadas ao varejo e à expansão de negócios.

Cadu Oliveira é fundador da Congress Brazil Mobile, feira voltada ao varejo mobile que reúne lojistas e empresas do setor no Distrito Anhembi, em São Paulo. Segundo a organização, o evento recebe mais de 10 mil lojistas por ano.

Arthur Martins construiu sua trajetória no mercado de micromobilidade elétrica. Antes da criação da Voltrix, participou da expansão do segmento no Sul do país, com experiência na operação de nove lojas próprias e na implementação de mais de 60 unidades associadas em três estados.

A combinação dessas trajetórias ajudou a definir o formato da startup: de um lado, a experiência com redes de lojistas; de outro, o conhecimento da operação de varejo de bicicletas e veículos elétricos.

Em menos de um ano, os dois transformaram a ideia em uma operação de alcance nacional.

Próximo passo é ampliar a rede

Com presença em mais de 20 estados, a Voltrix agora concentra seus planos na ampliação da base de associados e no aumento do volume intermediado.

A projeção de R$ 500 milhões até o final de 2027 é ambiciosa para uma empresa com poucos meses de atividade. Para chegar ao objetivo, os fundadores apostam na expansão da rede e no já consolidado crescimento da demanda por veículos elétricos de duas rodas no país.

A trajetória da startup também chama atenção pelo perfil de seus criadores. Aos 23 e 26 anos, Arthur e Cadu construíram a operação longe dos grandes centros tradicionais de negócios e escolheram um mercado que ainda passa por um processo de organização no Brasil.

Se a projeção se confirmar, a empresa catarinense poderá atingir uma escala relevante em um setor no qual a disputa não acontece apenas pela atenção do consumidor, mas também pela capacidade de comprar melhor.

E é justamente nessa etapa, antes de a bicicleta ou a scooter chegar à loja, que os dois jovens de Palhoça decidiram construir seu negócio.

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